Lisboa

lisboa por stephanie dornelas

Já faz um bom tempo que não posto aqui com frequência. O tempo vai passando e cada vez mais a experiência de Portugal vai ficando distante. Mas sempre que recebo mensagens de pessoas que gostam das postagens e se inspiram para viagens e intercâmbios fico feliz e com vontade de retomar as postagens. Sempre me dá um quentinho no coração entrar no De Volta a Madeira, ver as fotos e relatos antigos de viagem. Por isso, resolvi voltar a postar alguns relatos de viagens, mesmo que antiguinhas, para ter as fotos e memórias por aqui – e bem, quem sabe inspirar outras pessoas também? (:

stephanie dornelas

Agora faz mais ou menos um ano e meio que estou no Brasil. É meio assustador, porque parece muito mais tempo. Muita coisa aconteceu: escrevi um livro-reportagem, fiz viagens lindas pelo Brasil, conheci muitas pessoas incríveis, revi alguns amigos da época de Coimbra, terminei a faculdade de jornalismo (yey!), comecei a estudar fotografia e estou com projetos de novos blogs na cabeça. Continuo com a mesma vontade de viajar, conhecer novas culturas e descobrir novas paixões! E espero – assim que possível – voltar a Portugal, especialmente pra Coimbra e Madeira. Mas também descobrir a América Latina, que está aqui do ladinho, não é mesmo?

lisbon by stephanie dornelas

Percebi que não falei de lugares muito especiais (e populares) em Portugal por aqui: Lisboa e Porto. E resolvi compartilhar um pouco das minhas fotografias e lembranças na capital lusitana.

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Lisboa é linda ensolarada, com seus azulejos por toda a cidade, cafés fortes e praças. Nas três vezes que fui pra lá para ficar mais tempo, fui acompanhada de um dos melhores livros-guias que já li: Lisboa em Pessoa – um guia turístico e literário da capital portuguesa, de João Correia FIlho.

O livro tem fotos fantásticas e é super gostoso de ver (dá vontade de se teletransportar para Lisboa). O “diferencial” é que é guiado pela vida de Fernando Pessoa. Os lugares que ele gostava de ir e os que ele indicou em seus roteiros pela cidade que escreveu.

Coisas lindas a se fazer em Lisboa: apreciar o Tejo longamente.

tejo by stephanie dornelas

Apreciar o Tejo durante o pôr do sol!

lisbon by stephanie dornelas

Comer castanhas portuguesas…

stephanie d ornelas

…andar de bondinho,

lisbon by stephanie dornelas

se perder pelas ruelas…

lisbon by stephanie dornelas

…ir a Belém e esperar a fila que for para comer os melhores pastéis do mundo, quentinhos e crocantes, com muito açúcar e canela.

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nhami.

lisbon by stephanie dornelas

Lisboa é uma delícia de cidade, amo suas subidas e descidas por morros e elevadores antigos. É muito calmo e me traz muita tranquilidade – bem, como Portugal em geral. Que saudades dessas casinhas de outros séculos colorindo as ruas de pedra. Acho que todas as vezes que for para Lisboa (muitas ainda, espero) vou me acabar em pastéis de Belém.

Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 8.800 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 3 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

Em Coimbra: Falta de serviço noturnos afeta cidadãos

Foto: Stephanie Sayuri Komatsu

Foto: Stephanie Sayuri Komatsu

Quando morava em Coimbra, tive a oportunidade de escrever algumas reportagens para o jornal universitário da Universidade de Coimbra, A Cabra. Foi uma linda experiência, a melhor que tive no curso de jornalismo em Portugal. Uma das minhas matérias, escrita em parceria com o ucraniano Ian Ezerin, foi sobre a falta de serviços de transporte público à noite em Coimbra. Isso prejudicava bastante os rolês da galera que morava longe do centro! haha. Não sei se a situação está melhor agora, de qualquer maneira, compartilho a matéria aqui. Estudantes de Coimbra, me contem como está a situação agora!

Falta de serviço noturnos afeta cidadãos

Os SMTUC asseguram, através de um sistema de autocarros, o transporte urbano na cidade e arredores desde as cinco e meia da manhã e a meia-noite. Contudo, quem deseje mobilizar-se na cidade a partir dessa hora tem de obrigatoriamente utilizar o serviço de táxis. Por Ian Ezerin e Stephanie D’Ornelas

Constantemente abordada nas redes sociais e no meio estudantil está a possibilidade de Coimbra usufruir de uma rede de transportes noturnos. À noite e de madrugada, a Baixa e a zona da Praça da República são os locais mais procurados por estudantes e a população jovem de Coimbra. Nem todos têm sorte de viver nas habitações do centro da cidade. O estudante do quinto ano da Faculdade de Farmácia, residente em Celas, comenta que “era importante haver mais autocarros à noite, não só para quem sai à noite, mas também para quem vai estudar para associação ou para as cantinas”.

A ausência de transporte público no período noturno leva a consequências na vida da cidade e dos cidadãos. A estudante residente em Santa Clara, Carina Rodrigues, que utiliza os transportes públicos todos os dias, esclarece que “saio à noite principalmente para Praça da República, mas como não há o autocarro de regresso a casa, tenho de esperar pela disponibilidade de conhecidos que me dão boleia”.

Os residentes de áreas centrais são também atingidos com esta situação. O estudante Adriano Mourão, residente na Praça do Comércio, sempre que vai a algum lugar distante e tem que regressar à noite, depende de transportes alternativos. “Eu já tive problemas para voltar do Fórum, tenho sempre que voltar de táxi”, conta. O estudante tem também dificuldades em movimentar-se no período de aulas: “tenho que apanhar o autocarro uma hora antes, deviam existir mais linhas para o Polo II”.

A procura não é significativa

O administrador dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), Manuel Correia de Oliveira, esclarece que a ideia de introduzir os horários suplementares no período da uma até às cinco de manhã não é uma realidade provável. “Isso é impraticável, está fora de questão por várias razões”, afirma o responsável. Na experiência de Manuel Correia de Oliveira, a procura não é significativa e comprova isso com uma viagem que fez num dos últimos autocarros do dia, em que a certa altura apenas se encontrava o próprio, o motorista e um utente.

A possibilidade de uma rede noturna nunca foi, no entanto, tentada em Coimbra. A exceção dá-se apenas em ocasiões especiais, como na semana da Queima das Fitas (QF). Nos últimos quatro anos foram disponibilizados transportes gratuitos para apoiar as noites do Parque: “na perspetiva dos estudantes utilizarem o menos possível os automóveis”, conta o administrador. De acordo com Manuel Correia de Oliveira, durante os quatro anos em que foi disponibilizado o transporte noturno na QF só num foi conseguido apoio para isso, mas praticamente simbólico. O administrador conta que o valor dispensado para possibilitar os autocarros é alto. “Representa um bocado de dinheiro, foi um valor significativo”, afirma.

Por ter condições diferentes das empresas semelhantes que existem no Porto e em Lisboa, os SMTUC estão mais limitados no seu desenvolvimento, uma vez que os transportes urbanos são propriedade da Câmara Municipal de Coimbra, e só há o apoio financeiro por parte do município.

Falta de financiamento

“É muito difícil sobreviver e por isso é que não temos a possibilidade de uma renovação da frota que gostaríamos de fazer”, esclarece Manuel Correia de Oliveira. O administrador constata que entre 2002 e 2010 a frota foi renovada, “isso era possível porque era a única verba do Estado, através do Plano de Investimentos da Administração Central, distribuído por intermédio do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT), explica Manuel Correia de Oliveira. Há três anos que os SMTUC não recebem este valor, facto que implica um maior esforço às viaturas que estão em serviço. A necessidade de renovação da frota é essencial, visto que “ainda sete dos autocarros em funcionamento são de 1984”, sustenta o administrador.

A última aquisição dos SMTUC com a verba do IMTT foi um ‘trolley’, comprado em 2009. Foi possível pagar metade do valor do meio de transporte com a verba recebida do instituto, na altura. A perspetiva era comprar um ‘trolley’ por ano com a verba municipal, mas isso não se concretizou. “A ideia era ter em cinco ou seis anos, umas seis viaturas dessas a funcionar”, expõe Manuel Correia de Oliveira. O ‘trolley’ custou 475 mil euros, mais de 280 por cento do valor de um autocarro comum, que custa cerca de 170 mil euros.

O administrador acredita que a compra dos ‘trolleys’ vale a pena porque a manutenção desses veículos é muito mais reduzida. “Ainda temos um ou dois motores de ‘trolleys’ encaixotados, nunca foram substituídos e estão a funcionar”, explica. Além disso, em termos ambientais, os ‘trolleys’ não produzem tanta poluição nem tanto barulho como os restantes autocarros.

A recente renovação do sistema dos passes levou a benefícios consequentes no funcionamento do serviço. Permite, em tempo real, saber a procura em cada uma das linhas. Nos sistemas antigos os dados sobre o número de viagens era uma aproximação da procura, mas com o novo sistema cada passe utilizado permite saber o número de viagens utilizadas. Além disso, o administrador dos SMTUC explica que o desconforto relacionado no processo de carregamento dos passes: “em 2013 será possivelmente carregar o passe pela internet”.

Leia também no site d’A Cabra ou a linda versão impressa. ♥

Um ano sem ti

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(Post grande e nostálgico)

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi e voou
E hoje é já outro dia.
(Fernando Pessoa)

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Quando voltei de Portugal não senti saudades instantâneas. Demorei, na verdade. Em parte parecia que tudo voltaria ao “normal”, que um dia acordaria em minha cama em Coimbra, desceria as escadas e veria a casa cheia de cabeças loiras, morenas, ruivas, para trocar ideias sobre situações em Portugal, Brasil, Espanha, República Tcheca, sobre a universidade ou sobre a vida. Demorei um tempo até sentir saudades de verdade, até perceber que eu não saberia quando voltaria pra Portugal novamente. Em Coimbra, tudo parecia muito mais fácil. Pegar um avião para outro país parecia a coisa mais simples do mundo – Ryanair, sinto sua falta!

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No mês passado estive viajando, longe de internet e qualquer tipo de comunicação que não envolvesse olho no olho. Até que lembrei, num desses dias, que fazia exatamente um ano desde que estava sozinha no aeroporto do Porto, com muitos quilos de malas e mochilão, para dar meu até logo ao meu segundo país do coração. Fiquei com vontade de escrever sobre a experiência pós-intercâmbio, porque afinal, um ano é um tempo bem marcante. Ao mesmo tempo, fazem mais de dois anos que fui para Coimbra, então muitas coisas que aconteceram já estão distantes.

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Sobre as saudades: sinto saudades do cheiro da minha casa na Praça do Comércio. Juro, era um cheiro que só existia lá. Isso estava muito relacionado a minha vida lusitana, e sempre que sentia aquele aroma sabia que só voltaria a o sentir quando voltasse para aquela mesma casa. Sinto saudades das escadas de pedra que pareciam infinitas e que tornavam chegar à faculdade um grande desafio. Sinto saudades do Mondego, das cores espetaculares que ele compartilhava com o céu. Nada é tão bonito quanto o Mondego nos fins de tarde. Saudades do jeito lusitano de falar e da calma para lidar com a vida. De acordar com o som do saxofone na Portagem. Da Feira das Velharias. De ir ao Pingo Doce. Da Sagres e da Super Bock. De esperar ansiosamente pelos festivais acadêmicos da cidade, vulgo Queima das Fitas e a Latada. De planejar uma trip para um país novo e sair procurando Couchsurfing e pensando na maneira mais econômica de fazer isso. Saudades de sair à noite e conhecer pessoas que podiam ser de qualquer parte do mundo. E da sangria, dos shots, do Cabido, do NL…

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Uma das coisas mais difíceis de voltar, é que num intercâmbio temos a oportunidade de ver como o mundo é grande, como existem pessoas de todos os tipos, como cada dia pode ser muito diferente do outro, e, enfim, voltarmos para uma rotina bem menor do que tudo isso. Você está se expandindo e, bem, as rotinas em geral não permitem que continuemos expandindo todas nossas habilidades, anseios, etc etc. Agora estou muito feliz aqui. Muito feliz com a minha vida, vivendo o presente e planejando muitas coisas que me animam – incluindo viagens. Nesse momento, Portugal ocupa um espaço grande no coração, mas é algo calmo e sereno. Um dia voltarei pra lá – Ilha da Madeira, me espere! – e estou feliz com isso, e sem pressa. As coisas acontecem.

hehe

Portugal me ensinou muito. Morar sozinha fez com que eu aprendesse muita coisa. A vida lusitana me presenteou com amizades incríveis. E me deu memórias magníficas para a vida toda.

oi

Para quem me pergunta com dúvidas se deve ir pra lá: aproveite, vá. Sem medo, as coisas se acertam. As coisas passam e temos que nos agarrar as oportunidades lindas que a vida dá. Tenho recebido vários comentários de pessoas dizendo que o blog está ajudando elas a planejar a viagem para Coimbra e isso me deixa muito, muito feliz! Espero em breve poder compartilhar mais ideias, experiências e paixões direto do lado de lá desse mar salgado que divide mundos tão diversos – e parecidos, ao mesmo tempo. Enquanto isso, vou escrevendo daqui, aproveitando para relembrar de tantos momentos mágicos!

Cultuga – a cultura de Portugal no Brasil

Um tempo atrás fui convidada para escrever um depoimento sobre minha experiência em Portugal (e sobre o De volta a Madeira) no Culturga. Não conhecia o portal, e logo que descobri me apaixonei pelo projeto!

O Cultuga é um espaço dedicado a divulgação e valorização da cultura portuguesa no Brasil, além do intercâmbio de informações entre os apaixonados por Portugal.

O conteúdo é focado nas contribuições e parcerias portuguesas com o Brasil, tanto nas artes, como na gastronomia, na música, na literatura e no cinema. Há também o interesse em falar sobre a vida portuguesa e o turismo no país.

No ar desde maio de 2010, o site já firmou importantes parcerias com empresas como a Universal Music Brasil, a Editora Peirópolis e a Editora Prax. Em 2012, participou do programa “Portugal Dentro de Nós”, na Rádio Trianon 740 AM/ São Paulo, com boletins culturais semanais ao vivo.

No final de 2013, esteve entre os 10 finalistas do prêmio “The Bobs – Best of Online Activism 2013“, promovido pela emissora alemã Deutsche Welle, na categoria de “Melhor Blog em Português”.

Em 2014, deixou a estrutura de blog para assumir o perfil de um portal. Com a mudança da equipe de São Paulo para Lisboa, o Cultuga passou a se dedicar também a um turismo personalizado para viajantes brasileiros que buscam não somente um passeio por Portugal, mas também uma experiência direcionada aos seus assuntos de preferência.

Foi muito bom dividir minhas histórias com os leitores do Culturga. Quem quiser ler o original, é só clicar aqui. Ou ler aqui embaixo:

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Stephanie divide histórias e memórias no “De volta a Madeira”

Cresci ouvindo histórias de Portugal, com vinho sempre à mesa e com a vontade de descobrir o mundo. Os contos e tradições portuguesas, que estão presentes na minha família desde que me entendo por gente, têm suas raízes na Ilha da Madeira, a terra natal do meu avô paterno – o vô Gregório –, que saiu de lá com seus vinte e poucos anos. O pós-guerra estava dificultando a vida de quem morava na ilha lusitana, e a fértil terra roxa paranaense prometia uma vida mais tranquila e próspera. Meu avô – assim como meus outros avós e muitos familiares – se instalou em Altônia, no noroeste do Paraná, vivendo de agricultura. Até hoje essa cidadezinha é bastante rural e rodeada pela natureza. O que lembra bastante a Ilha da Madeira.

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O meu desejo de estudar em outro país surgiu na adolescência, assim como a vontade de conhecer Portugal. Consegui unir esses dois sonhos enquanto estudava Jornalismo na UFPR, quando surgiu a oportunidade de fazer mobilidade acadêmica. Entre Porto e Coimbra (as duas possibilidades que minha universidade permitia) minha escolha foi pela tradicional Universidade de Coimbra – uma das mais antigas do mundo e a mais antiga de Portugal. Morei nessa adorável cidade cortada pelo Rio Mondego entre 2012 e 2013, e como adoro escrever e fotografar, resolvi compartilhar minhas experiências lusitanas com estudantes, futuros intercambistas e curiosos em geral no blog De volta a Madeira. Comecei a escrever lá um pouquinho antes de ir para Portugal e até hoje continuo atualizando, dando dicas de viagem pela Europa e para futuros moradores de Coimbra. Também gosto de fazer posts sobre aleatoriedades turísticas e sempre colocar muitas, muitas fotos!

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Sempre achei que na Ilha da Madeira eu pudesse descobrir mais sobre um pedacinho da minha própria história. Daí surgiu o nome do blog, inspirado no livro “De volta a Istambul”, da turca Elif Shafak. Essa obra narra a história de uma menina estadunidense que vai até a Turquia para descobrir o seu passado e entender o seu presente, já que o seu pai tinha nascido em Istambul, mas muitos mistérios cercavam a vida dele. E, de fato, conhecer a Ilha da Madeira foi um dos eventos mais importantes da minha vida. Conheci vários parentes portugueses queridos, vi lugares tão bonitos que pareciam saídos de um sonho, bebi muito vinho feito em casa e senti que conhecia a Madeira desde sempre, mesmo sem nunca antes ter colocado os pés lá.

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O De volta a Madeira é meu jeito de mostrar um pouquinho do meu olhar sobre Portugal (e outros países) pra todo mundo. E é uma maneira de matar um pouquinho as saudades, porque esse país além do mar sabe como deixar a gente amando mesmo a léguas de distância. O que eu aprendi é que, mesmo do Brasil, dá sempre pra levar Portugal no coração.